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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

ESTAMOS VÍTIMAS DE UM PROCESSO COVARDE E IMORAL (JUL/97)

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ESTAMOS VÍTIMAS DE UM PROCESSO COVARDE E IMORAL (JUL/97)


Sabemos que, desde que o mundo é mundo, existem dois polos de leis e atitudes, nos quais os interesses contrapõem-se: uns lutam pela construção da humanidade e outros pela destruição. Dessa forma, como os interesses são opostos, o que é imoral para um grupo é moral para o outro.
Existem doutrinas que visam a construção da humanidade, face o reconhecimento do valor intrínseco do homem, pelo qual todo ser humano tem o direito de viver uma vida plena. O cristianismo (de Cristo e não dos Malafaias), o humanismo e a democracia são doutrinas que têm esse ponto em comum, ou seja, visam o supremo bem da humanidade, assim como os preceitos, baseados nas suas respectivas leis morais, concorrem para esse fim. 
A isonomia e o direito ao trabalho, com remuneração digna, que garanta atender as necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, etc., são alguns dos direitos constitucionais do cidadão trabalhador brasileiro, que se enquadram dentro da lei moral, pela ótica de qualquer uma das doutrinas acima citadas, ou seja, do cristianismo, do humanismo e da democracia.
Fazem parte, portanto, do sistema de regulamento, ou direito, baseado na lei moral de doutrinas que concorrem para a construção da humanidade. Todavia, como nenhuma sociedade é homogênea no sentido da construção do bem comum, existe também o sistema de regulamento baseado na lei moral das doutrinas que concorrem para a destruição do ser humano.
O capitalismo selvagem, gerado pela ambição de ter cada vez mais, é um exemplo de doutrina que se opõe à construção do bem.
No Brasil, para os que promovem a destruição, é moral:
Garantir lucros exorbitantes ao capital especulativo, à custa da sangria do povo.
Garantir a posse da terra para grandes latifúndios, embora a Constituição garanta que “a propriedade atenderá à sua função social.”
Impor ao trabalhador desemprego e perdas salariais, através dos vários planos econômicos implementados, embora o Brasil seja apontado como um dos piores países em distribuição de renda, e mesmo que essas perdas impliquem na sobrevivência ou redução da qualidade de vida do trabalhador.
Os trabalhadores brasileiros estão vítimas desse processo covarde e imoral, adotado em nosso país.
Valorizada artificialmente, a nossa “moeda forte” não tem condições de se sustentar, em longo prazo, sobrando, naturalmente, e cada vez mais, para os cidadãos escolhidos para o sacrifício: os trabalhadores.
Numa economia de mercado é necessário que a OFERTA de produtos, bens e serviços seja maior do que a PROCURA, para que se mantenha a estabilidade dos preços, ou, até mesmo, produza uma queda do valor, processo chamado de deflação.
Num país, a condição de MAIOR OFERTA pode ser alcançada através dos seguintes processos:
REDUÇÃO DE PODER DE COMPRA DO POVO, conseguido principalmente através do arrocho salarial e desemprego. É óbvia, a falta de recursos (renda do povo) reduz a procura, forçando-se, desse modo, a estabilidade dos preços.
AUMENTO DA PRODUÇÃO traduzido em crescimento real da economia do país.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS, ou seja, oferta de produtos de outros países.
A seguir, vejamos as consequências, para o povo, da adoção de cada um desses processos:
A REDUÇÃO DO PODER DE COMPRA DO POVO, num país como o Brasil, oitava economia do mundo, É UMA OPÇÃO COVARDE, na medida em que visa sacrificar o povo, para a manutenção dos privilégios das elites dominantes. Esse processo aumenta o fosso entre ricos e pobres. Até mesmo o jornal “O Globo”, não tendo mais como negar as evidências, já admite, conforme manchete do seu caderno “Economia”, edição de 10 de agosto de 1997: “Aumenta a concentração de renda – Passados os primeiros efeitos do Plano Real, voltou a crescer a diferença entre pobres e ricos.”

O AUMENTO DA PRODUÇÃO traduz a materialização de riquezas, por isso, alavancar o processo produtivo é de fundamental importância para tornar um país efetivamente rico, NO SENTIDO DE CRIAR AS CONDIÇÕES DE UMA VIDA DIGNA PARA O SEU POVO. Sabemos, todavia, que a política econômica adotada é fator determinante do nível de produção, na medida em que a valorização excessiva que se dá ao capital, mediante a cobrança de juros escorchantes, inviabiliza o setor produtivo da economia de um país. Exatamente o que está fazendo FHC, com a sua política econômica.
O aumento da produção, entretanto, PODE OU NÃO BENEFICIAR A TODOS, dependendo, principalmente, da POLÍTICA DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA. É justo que o trabalhador também possa usufruir dos benefícios gerados pelo aumento da eficácia de uma empresa. Só através de uma justa distribuição de renda, o cidadão trabalhador terá as condições necessárias para uma vida digna, sem precisar da tutela do Estado, como defendem os liberais. Portanto, ainda que haja aumento da produção, devemos ficar atentos, uma vez que isso pode resultar, principalmente, em maior concentração de renda.
A IMPORTAÇÃO (compra de produtos no exterior) só traz benefícios perenes se houver equilíbrio com a exportação (venda de produtos para o exterior), para evitar endividamento.

Vamos pensar em relação ao orçamento doméstico: ninguém pode gastar além da sua capacidade de pagamento, para não ficar em situação difícil. A mesma coisa acontece com o país.
É espantoso, mesmo com as privatizações, FHC está levando o Brasil à bancarrota. Nunca a nossa dívida externa foi tão grande. Portanto, que ninguém se iluda, estamos comprando mais aparelhos eletrônicos, vindo do exterior à custa de uma crescente dívida externa, que, certamente, nos será cobrada a preço de SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS.
Precisamos ficar de olhos bem abertos, para não deixar que nos iludam com as suas farsas e mentiras.



SÓ DEPENDE DE NÓS

Inventam planos e planos
Pra controlar a inflação
Mas todos são fracassados
Pois não controlam a ambição

E no fim de tudo, infelizmente,
É o povo quem “paga o pato”
De política econômica covarde
No Brasil isso tem sido um fato

E, assim elles ficam mais ricos
Enquanto o povo mais empobrecido
Têm como aliados os políticos
Que com elles são comprometidos

Pois financiam a campanha
Daquele que compra o seu voto
A culpa, em parte, é sua,
Pois aceitas esse jogo sórdido

Eles criam cartéis e oligopólios,
E procuram manter sempre a união
Nisso devemos seguir seus exemplos
Pois é fundamental nos darmos às mãos

Só assim poderemos ser fortes
No combate às forças do mal
Fazendo as necessárias mudanças
Em nosso quadro político e social

É imprescindível e necessário
Promovermos a nossa organização
Para resgate da dignidade do povo
E conquista dos direitos de cidadão

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